| Sou José fazendo o berço para o filho de outro pai |
| Sou a mãe de um assassino, que não vê os seus sinais |
| E penteia os seus cabelos e lhe beija a testa em paz |
| O amor não escolhe pra onde vai |
| As mulheres no convento que agora limpam minhas feridas |
| "Você andou por muito tempo?", elas perguntam curiosas |
| Eu sou um homem de pecado, estou sujando suas mãos limpas |
| Mas elas dizem que até gostam mais |
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| Eu acho horrível e bonito que o amor |
| Não escolhe pra onde vai |
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| E o menino adolescente na aula de educação física |
| Brigando com seus olhos nos colegas sem camisa |
| Mariposas no inverno indo à luz das lamparinas |
| Já sabendo que ali terão os seus finais |
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| E eu acho horrível e bonito que o amor |
| Não escolhe pra onde vai |
| Eu acho horrível e bonito que o amor |
| Não escolhe pra onde vai |
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| E o tempo leva tudo, entendo |
| Mas moram eternas em mim essas coisas |
| Que a terra não pode tocar |
| E se Deus de fato é justo e eu espero que ele seja |
| Há de se ter outro mundo pra quem segue o que deseja |
| O menino adolescente, a mãe, José, as freiras |
| Que já não insistem mais |
| Se você assim nos faz |
| Que nos deixe ir em paz |
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| Eu acho horrível e bonito que o amor |
| Não escolhe pra onde vai |
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