| Duas e tal da madrugada de uma sexta-feira |
| Deco de bobeira sentado no escadão |
| Ali descendo no morro um cara perigoso |
| Com um dedo nervoso afim de confusão |
| Deco teve chance de fugir |
| Deco teve chance de negar |
| Deco teve chance de mentir |
| Mas não mentiu |
| O cara disse para o Deco se meteu comigo |
| Tá vendo o perigo |
| Deco disse não |
| Vi na penúria o desatino ferro engatilhado |
| Deco baleado |
| Haja coração |
| Ele caiu não reagiu a minha lágrima rolou |
| A ligação de bolação e dor |
| E mais um teço então se ouviu e a favela se calou |
| É o quebrador |
| Não sei por que na esquina do morro o que não falta é notícia |
| É fácil ver que pra sobreviver tem que ter certa malícia |
| É isso aí que de fato escoa a diretriz da polícia |
| Ver o bandido assaltar, ver que ele some de vista |
| Oh Pátria Amada Idolatrada tá ruim de viver |
| Mas filho teu não foge a luta nem se desfalecer |
| Vamos parar com a disparada e parar pra rever o dever |
| O Sol despertou na calada |
| Ninguém pra falar, descrever, opinar, por quê? |
| Se a barra é pra lá de pesada |
| Ninguém pra falar, descrever, opinar, por quê? |