| Isso aqui tá um jogo de caipira |
| Quem tem bota banca, parceiro |
| Quem não tem se vira |
| Quem não tem se vira |
| Mas quem não tem se vira |
| Cisco em olho de cego é remela |
| Ele ou ela sem dente é banguela |
| Mas nem tudo de coco é cocada |
| Nem focinho de porco é tomada |
| Se a velhice um dia foi criança |
| E a saudade ia além de Barra Mansa |
| Não adianta choro, parceiro |
| Que nesse jogo só ganha o banqueiro |
| Isso aqui tá um jogo de caipira… |
| Bode tem chifre mas não é touro |
| Mulato é sarará, não é louro |
| Morro é morro, favela é favela |
| Tranca é tranca, tramela é tramela |
| Toda vida é o começo da morte |
| Todo azar é o inverso da sorte |
| Não adianta choro, parceiro |
| Que nesse jogo só ganha o banqueiro |
| Isso aqui tá um jogo de caipira… |
| Nem todo pau que bóia é jangada |
| Quem põe pobre pra frente é topada |
| Violino de pobre é rabeca |
| Calça curta de velho é cueca |
| O que engorda leitão é farelo |
| Quem dá soco no prego é martelo |
| Não adianta choro, parceiro |
| Que nesse jogo só ganha o banqueiro |
| Isso aqui tá um jogo de caipira… |