| Terra minha que me viu nascer |
| Vou lembrá-la por onde eu for |
| Sua saudade me ajuda a viver |
| Será sempre o meu amor |
| Chão de pedra, de serras e montes |
| «onde eu vivi com o gado a pastar» |
| Vou lembrá-la por onde eu for |
| «pois neste tempo eu era feliz» |
| De sol e chuva, rios e fontes |
| «de céu azul, de brancos horizontes» |
| Será sempre o meu amor |
| Se à minha terra fores um dia |
| «não saberás de outros, como eu» |
| Vou lembrá-la por onde eu for |
| «que um dia partiram sem dizer adeus» |
| Se quem amei, ainda existiria |
| «a responder às cartas de chamada» |
| Será sempre o meu amor |
| Meu amor tinha a alma pura |
| «nunca ouviu o soar do clarim» |
| Vou lembrá-la por onde eu for |
| «guardou seus carinhos pra quando eu voltar ?» |
| Dos olhos cor da terra escura |
| «não sei se ainda olha por mim» |
| Será sempre o meu amor |
| Uma ceia faria para mim |
| «com rosmaninho e ramos de alecrim» |
| Vou lembrá-la por onde eu for |
| «sobre uma branca toalha de linho» |
| Com azeite novo, com pão e vinho |
| «aonde não haja o rufar do tambor» |
| Será sempre o meu amor |
| Olhos de terra, cabelos de trigo |
| «de qual destino seria o melhor» |
| Vou lembrá-la por onde eu for |
| «estar longe na guerra, estar longe a fugir» |
| Onde andará quem foi meu amigo |
| «se uns não voltam, outros também não» |
| Será sempre o meu amor |