| Ouço batuques e maracatus na TV |
| Que país é esse que a gente nunca vê? |
| A não ser na CNN em Espanhol |
| Em fevereiro tudo vira show |
| Isso não é uma tribo aborígine… |
| São negros sim, que falam Português |
| Pau-Brasil, bola da vez |
| De antenas ligadas do Sudeste |
| De frente do prédio da FIESP |
| Numa distância de anos-luz |
| Escuto batuques e maracatus… |
| Se vira, meu |
| Baque virado não é virado à paulista |
| Não é um samba, samba, samba não… |
| Ouço batuques e maracatus na TV |
| Que país é esse que a gente nunca vê… |
| É um baque urbano que ouço daqui |
| As alfaias tocando pra quem quer ouvir |
| É um batuque rural de canavial |
| Com chocalhos nas costas do Recife |
| Realeza vestida de pano de chita… |
| São negros sim, que falam Português |
| Pau-Brasil, bola da vez |
| São pretos, marrons em tela plana |
| São filhos e netos de dona Santa |
| Então por que essa dança tribal |
| A gente só pode ver na TV? |
| Se vira, meu |
| Baque virado não é virado à paulista |
| Não é um samba, samba, samba não… |
| Ouço batuques e maracatus na TV |
| Que país é esse que a gente nunca vê? |