| Eles falam mal de mim |
| Mas eu não me incomodo |
| Porque o vosso ódio |
| É que me pós no pódio |
| Puto criado na esquina |
| Lutar sempre foi a minha cina |
| Hoje um gajo quando rima ensina |
| Cabeça erguida |
| Luz divina, vem de cima |
| Lembro quando eu roubava na cantina |
| E fui apanhado pela continua |
| Era fome, não era só adrenalina |
| Filho da Dona Clementina |
| Ela quis saber se eu roubava por maldade |
| Se em casa passava dificuldades |
| Se era só vaidade, próprio da idade |
| Da minha realidade, tu não sabes |
| Nem metade |
| Não, desculpa Dona Sara, eu não quis |
| Ser arrogante |
| Perguntou pelo meu pai, eu disse ta distante |
| Perguntou pelo padrasto, eu disse é traficante |
| Perguntou o que é importante pra mim |
| Eu disse é ver, que o mundo me subestima |
| Por um sorriso na cara da Tina |
| Cubico grande, parte de cima com parte de cima |
| Primeiro ela disse que o mundo era meu |
| Depois ela disse o limite é o céu |
| Se pra ti não deu, culpado não fui eu |
| Deus sabe o que me aconteceu |
| Comigo deu |
| Vida preenchida parece a minha agenda |
| Imagino os meus filhos na minha vi-venda |
| Guita para os cotas do pro lá no prenda |
| É justo dizer que o NGA é uma lenda |
| Olha para os meus niggaz estão todos gordos |
| Tocas num deles, eu juro que eu te fodo |
| Minha mãe me disse isso é terra dos outros |
| Eu não quero saber porque Deus é |
| Pra todos |
| Doc |
| Deus, a noite eu também me ajoelho |
| E peço a Deus que olhe por mim e |
| Pelos meus |
| Eu peço a Deus, que me ilumine, me guie e me torne |
| Um vencedor |
| Deus é pra todos |